Governo Bolsonaro

O que é a verba de comunicação que o Bolsonaro vai cortar e por que todo mundo deveria ter medo desse corte?

Quando o Bolsonaro corta a verba de comunicação, ele não está cortando relações com a “imprensa golpista e tendenciosa”, ele está cortando relações com o mercado, com os investidores e com o resto do mundo. Ele está passando a mensagem de que é impossível o questionar, tal qual fazem os governos totalitários. Por Maria Eduarda Feistauer Sinigaglia.

Barbudinho

BarbudinhoLuiz Henrique Barbudinho, é ativista digital e político, especialista em marketing e redes sociais, é um dos administradores de uma das maiores redes progressistas do Brasil, com alcance superior a 60 milhões de usuários ao mês. Ficou conhecido nacionalmente e internacionalmente depois de ter invadido uma transmissão ao vivo da Rede Globo com uma placa chamando a emissora de "golpista".

24/01/2019 13h36Atualizado há 10 meses
Por: Redação
Arquivo Câmara dos Deputados
Arquivo Câmara dos Deputados

A área de comunicação de uma instituição, seja ela pública ou privada, em primeiro lugar, vai muito além de publicidade ou marketing, ela é responsável pela narrativa daquela instituição e sua postura perante ao todo. Ex: Quando houve o acidente da Gol em Congonhas, o que fez com que a Gol não entrasse em uma crise sem precedentes, como a TAM entrou? A assessoria de imprensa da cia área. Explico: foi convocada uma coletiva que colocou o assessor de imprensa, o CEO e um técnico em aviação para responder às questões. Questões técnicas eram respondidas exclusivamente por técnicos. Não havia nenhuma informação que fosse achismo, tudo era respondido tecnicamente sem superficialidade. A Gol manteve a postura da transparência dentro daquela situação, cada um era responsável por responder questões que fossem de sua área de atuação. 

Quando o Bolsonaro corta a verba de comunicação, ele não está cortando relações com a “imprensa golpista e tendenciosa”, ele está cortando relações com o mercado, com os investidores e com o resto do mundo. Ele está passando a mensagem de que é impossível o questionar, tal qual fazem os governos totalitários. “Ah mas o Trump faz isso”, não há comparação a nível de reputação política, de mercado e de investidores entre Trump e Bolsonaro, somente ideológica. O Trump é conhecido internacionalmente por ser um business man, tinha uma reputação com o mercado e com as grandes instituições políticas e econômicas do mundo muito antes de ser commander-in-chief dos Estados Unidos; Bolsonaro não, Bolsonaro sequer fazia parte do alto escalão político Brasil, quiçá do econômico. 

 

A comunicação de qualquer instituição deve ser baseada nos seus interesses, nos seus valores e seus investimentos, não é necessário ter um diploma em comunicação, como eu tenho, para fazer essa análise. Quando uma instituição pública, corta a linha de comunicação com a imprensa geral, atendendo exclusivamente alguns veículos, ela não está passando uma mensagem idônea, está caminhando em direção à tentativa do controle de informação e narrativa, que também leva ao isolamento político e econômico, uma vez que, sem informações e declarações públicas a toda imprensa, a comunicação com o resto do mundo se torna duvidosa e cria-se um ambiente hostil.

“Mas o jornalismo é sim parcial.” A imprensa funciona tal qual um governo democrático, quanto mais vigilantes somos, melhor ela funciona. “Mas a imprensa não investigava o Lula, o filho do Lula, a Dilma, o Temer, o Aécio, xxxxxx (insira aqui o nome de político que você bem entender). Primeiramente, que se a imprensa não estivesse em cima dessas pessoas e das instituições que as fiscalizam (MP, STF, STJ, COAF, CGU, PGR e etc) ninguém saberia que são corruptas, uma vez que toda e qualquer informação que você tem, veio por parte da imprensa, ou você estava no meio dos esquemas e tinha informações internas? 

Comunicação é a base de qualquer relação, seja ela pessoal, profissional ou governamental, de qualquer sociedade. Comunicação é a chave para a transparência, para o questionamento, para a divergência de opinião e para o crescimento. É a chave para a vigilância. Evitar a comunicação ampla e diversificada, não só é uma atitude irresponsável, como é imoral, quando se governa é preciso estar aberto para críticas, questionamentos e prestação de contas. Mantenham-se atentos, cobrem posicionamentos, informações, matérias e declarações, tanto a da imprensa quanto das instituições públicas, as duas funcionam a base do patrulhamento da população.

Maria Eduarda Feistauer Sinigaglia é jornalista e
trabalha com comunicação empresarial e
marketing digital.
Membro do Movimento Acredito/RS

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