Vaza Jato

URGENTE- Diálogos revelam que Moro era contra a delação de Eduardo Cunha

Em mensagem ao procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava-Jato no PR, o então juiz pede para ser informado do acordo - o que é ilegal

05/07/2019 08h24
Por: Redação
Fonte: Revista Veja

Em conversa privada travada em julho de 2017, o juiz Sergio Moro  recomendou que o Ministério Público Federal não fechasse acordo de delação premiada com o ex-deputado federal Eduardo Cunha.

 

O diálogo inédito faz parte do material analisado por VEJA em parceria com o site The Intercept Brasil. Clique para ler a reportagem na íntegra. No material que o Intercept diz ter recebido de uma fonte anônima, há quase 1 milhão de mensagens, totalizando um arquivo com mais de 30.000 páginas. Só uma pequena parte havia sido divulgada até agora — e ela foi suficiente para causar uma enorme polêmica. A reportagem realizou o mais completo mergulho já feito nesse conteúdo.

Foram analisadas pela 649.551 mensagens. Palavra por palavra, as comunicações examinadas pela equipe são verdadeiras e a apuração mostra que o caso é ainda mais grave. Moro cometeu, sim, irregularidades. Fora dos autos (e dentro do Telegram), o atual ministro pediu à acusação que incluísse provas nos processos que chegariam depois às suas mãos, mandou acelerar ou retardar operações e fez pressão para que determinadas delações não andassem. Além disso, revelam os diálogos, comportou-se como chefe do Ministério Público Federal, posição incompatível com a neutralidade exigida de um magistrado. Na privacidade dos chats, Moro revisou peças dos procuradores e até dava broncas neles.

Peças fundamentais na Lava-Jato, as delações exigem também que o juiz se comporte de forma imparcial e somente após as negociações conduzidas pelo Ministério Público Federal, pois ao fim do processo, caberá a ele decidir se aceita ou não a oferta. No dia 5 de julho de 2017, Moro questionou o procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba, sobre rumores de uma delação de Cunha. “Espero que não procedam”, disse. Depois, pediu para manter-se informado sobre o assunto.

À época do diálogo entre Deltan e Moro, um grupo no Telegram, formado por procuradores de Curitiba, Rio de Janeiro e Natal já tratava da potencial delação – que acabou não prosperando.

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