Quarta, 22 de maio de 2019
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Opinião

17/02/2019 às 11h09 - atualizada em 18/02/2019 às 15h10

Redação

Porto Alegre / RS

“Ah mas a Maju chegou à bancada do JN por competência e não por ser negra”
A dificuldade das pessoas entender o abismo que existe entre as igualdades de oportunidades para brancos e negros, por Luiz Henrique Barbudinho
“Ah mas a Maju chegou à bancada do JN por competência e não por ser negra”
Reprodução: Globo Play

O Brasil é um país atrasado no que diz respeito a igualdade de condições. Algumas pessoas acham que as raças tem o mesmo nível de oportunidade. O segregacionismo é muito presente ainda na nossa sociedade, no entanto poucos entendem o retrocesso que isso representa na luta contra a discriminação e contra o racismo. 


Os que se dizem contra cotas, são os mesmos que dizem que Maju Coutinho chegou à bancada do JN por competência e não por ser negra. 



A pergunta que a gente deveria fazer é: 


-Por que Maju foi a primeira negra a ocupar a bancada e por que isso aconteceu apenas no ano de 2019? Será que nós não tivemos negros mais ou tão competentes quanto ela em outras décadas?


É tão difícil compreender que existe um abismo entre as igualdades de oportunidades para brancos e negros?


A população negra no Brasil é maior do que a população branca. Com essa informação eu convido para que façamos uma reflexão:



-Quantos colegas negros tivemos no ensino fundamental?


-Quantos colegas negros tivemos no ensino médio?


-Quantos colegas negros tivemos na faculdade?


O número diminui, não é mesmo?


O debate não é sobre vitimismo dos negros que sofreram historicamente as mais perversas humilhações e repressões da humanidade, e sim, sobre igualdade social. Um negro bem sucedido não pode ser comparado com os milhares que vivem nas periferias e nas favelas em condição de miserabilidade e sem estrutura familiar.


Maju deve receber nosso reconhecimento pelo seu grandioso trabalho, mas mais do que isso, a representatividade e o significado de tê-la na bancada do telejornal com maior audiência da televisão brasileira, deve ser lembrado como um marco histórico da luta por igualdade.


Luiz Henrique Barbudinho

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