Opinião

“Ah mas a Maju chegou à bancada do JN por competência e não por ser negra”

A dificuldade das pessoas entender o abismo que existe entre as igualdades de oportunidades para brancos e negros, por Luiz Henrique Barbudinho

Barbudinho

BarbudinhoLuiz Henrique Barbudinho, é ativista digital e político, especialista em marketing e redes sociais, é um dos administradores de uma das maiores redes progressistas do Brasil, com alcance superior a 60 milhões de usuários ao mês. Ficou conhecido nacionalmente e internacionalmente depois de ter invadido uma transmissão ao vivo da Rede Globo com uma placa chamando a emissora de "golpista".

17/02/2019 11h09Atualizado há 8 meses
Por: Redação
Reprodução: Globo Play
Reprodução: Globo Play

O Brasil é um país atrasado no que diz respeito a igualdade de condições. Algumas pessoas acham que as raças tem o mesmo nível de oportunidade. O segregacionismo é muito presente ainda na nossa sociedade, no entanto poucos entendem o retrocesso que isso representa na luta contra a discriminação e contra o racismo. 

Os que se dizem contra cotas, são os mesmos que dizem que Maju Coutinho chegou à bancada do JN por competência e não por ser negra. 

 

A pergunta que a gente deveria fazer é: 

-Por que Maju foi a primeira negra a ocupar a bancada e por que isso aconteceu apenas no ano de 2019? Será que nós não tivemos negros mais ou tão competentes quanto ela em outras décadas?

É tão difícil compreender que existe um abismo entre as igualdades de oportunidades para brancos e negros?

A população negra no Brasil é maior do que a população branca. Com essa informação eu convido para que façamos uma reflexão:

 

-Quantos colegas negros tivemos no ensino fundamental?

-Quantos colegas negros tivemos no ensino médio?

-Quantos colegas negros tivemos na faculdade?

O número diminui, não é mesmo?

O debate não é sobre vitimismo dos negros que sofreram historicamente as mais perversas humilhações e repressões da humanidade, e sim, sobre igualdade social. Um negro bem sucedido não pode ser comparado com os milhares que vivem nas periferias e nas favelas em condição de miserabilidade e sem estrutura familiar.

Maju deve receber nosso reconhecimento pelo seu grandioso trabalho, mas mais do que isso, a representatividade e o significado de tê-la na bancada do telejornal com maior audiência da televisão brasileira, deve ser lembrado como um marco histórico da luta por igualdade.

Luiz Henrique Barbudinho

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