Treta na esquerda

Assessor de Flávio Dino vira antipetista ferrenho, será que Lula estaria dialogando com Sarney?

Ricardo Cappelli, porta-voz de Flávio Dino, fez declarações criticando o PT

23/11/2019 16h33
Por: Redação
Os ex-presidentes José Sarney e Luiz Inácio Lula da Silva
Os ex-presidentes José Sarney e Luiz Inácio Lula da Silva

Uma repentina mudança de tom nas declarações de dirigentes e colaboradores do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) tem chamado a atenção. A movimentação das peças do tabuleiro político ocorrida desde a saída do ex-presidente Lula da cadeia parece ter surpreendido ou desagradado as fileiras comunistas.

A expectativa da unidade da esquerda em uma frente sucumbiu mais uma vez com as declarações de Lula, dizendo categoricamente que o PT priorizará o lançamento de candidatos na cabeça de chapa nas eleições do ano que vem. Ao mesmo tempo, de forma independente, o ex-presidente começa a articular nos bastidores com os políticos do Centrão, repetindo a fórmula da estratégia petista anterior ao impeachment de Dilma Rousseff. 

Com isso, críticas ao hegemonismo petista e apelos para a formação de uma “frente ampla contra o fascismo” se tornaram comuns em diversas manifestações de quadros conhecidos do PCdoB.

Hoje, Ricardo Cappelli, porta-voz do governador Flávio Dino, postou em sua página do Facebook trecho de um discurso da presidente do PCdoB e vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos:

"NÓS PRECISAMOS lembrar de Dimitrov, reafirmar a necessidade da FRENTE AMPLA. Em momentos de ofensiva da direita, nós sabemos onde a aposta na polarização vai nos levar. NÓS NÃO CAÍMOS NESSA".

"Vejam o exemplo da Argentina. Sem o Peronismo, a esquerda não ganharia aquela eleição. Cristina Kirchner compreendeu corretamente a conjuntura e fez um gesto grandioso, levando à derrota do neoliberalismo representado por Macri."

A manifestação de Cappelli, que mudou abruptamente os tons de suas mensagens nas redes sociais nos últimos dias, pode ser indício de que esses movimentos do ex-presidente Lula já devem estar sendo sentidos no Maranhão.

Será que Lula e Sarney andaram conversando por esses dias?

Cabe lembrar que o projeto petista no estado sempre foi barganhar apoio nacional do clã Sarney em troca do apoio do PT maranhense nas eleições estaduais. O PT apoiou Roseana Sarney contra Dino em 2014 e, em 2018, esse apoio só não ocorreu porque o PCdoB aceitou a retirar a candidatura de Manuela D’Ávila à presidência e ser vice na chapa que foi derrotada por Jair Bolsonaro.

Por causa disso, Dino venceu com folga a eleição no Maranhão, mas o PCdoB quase foi extinto, já que não ultrapassou a cláusula de barreira. O partido só sobreviveu porque se fundiu ao PPL esse ano, incorporando um deputado e ficando na linha de corte da cláusula.

Como todos no PCdoB sabem, não importa a cor do gato, o importante é que evite ser escaldado.

Um vídeo que ilustra bem este artigo:

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