Segunda, 01 de Junho de 2020
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Opinião Artigo

Governo Bolsonaro, uma ditadura disfarçada

Chantagem, perseguição, ameaças e medo serão características do novo governo, por Luiz Henrique Barbudinho.

07/12/2018 13h23 Atualizada há 1 ano
Por: Redação Fonte: Portal Folha Impacto
Em 1968, atores com placas e faixas protestam contra censura no Teatro Municipal de São Paulo
Em 1968, atores com placas e faixas protestam contra censura no Teatro Municipal de São Paulo

Dos prováveis 22 ministérios do capitão reformado do exército, Jair Messias Bolsonaro (que prometeu 15), 7 serão comandados por militares. 

Messias acumula diversas frases polêmicas em sua longa e inexpressiva carreira política. Destaque para quando o capitão confessou no Programa Roda Viva em julho deste ano que “Não houve golpe militar em 1964”. O presidente eleito ainda defendeu no programa as atuações dos militares em casos de tortura, destacando a figura do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra (1932-2015), a quem homenageou em seu voto durante o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. 

Não podemos nos esquecer do General Mourão, vice-presidente eleito, que assim como Messias, chamou o primeiro militar reconhecido como torturador pela Justiça no Brasil de “herói“. Em algumas oportunidades, suas declarações extrapolaram as casernas e provocaram alvoroço entre civis. Em setembro do ano passado, sugeriu a intervenção militar como solução para a crise política. Um boneco inflável gigante dele foi usado por manifestantes intervencionistas em vários protestos no Brasil.

É melhor JAIR se preocupando. 

Os posicionamentos dos militares que assumirão cargos políticos a partir de janeiro de 2019, não deixam dúvidas de como controlarão as rédeas da democracia brasileira, bem como o tratamento que será dado à imprensa livre.  Bolsonaro já disse que não permitirá que aliados façam críticas ao seu governo e usou a expressão “cortar a cabeça” como sinônimo de demissão. Imagina o tratamento com a oposição?

O Jornal A Folha de S. Paulo divulgou no período eleitoral denúncias de Caixa 2 envolvendo a campanha do Messias. Após o resultado das urnas que deu vitória ao mito dos bolsominions, o jornal sofreu vários constrangimentos por parte da equipe de transição, do presidente eleito que impediu a entrada de repórteres em coletivas e também do empresário e dono da Havan, Luciano Hang, que aparece na reportagem do jornal como um dos contratantes do serviço de disparos irregular de mensagem no WhatsApp favorecendo a candidatura de Bolsonaro. Hang divulgou vídeo estimulando boicote as máquinas de cartão de crédito e débito PagSeguro por ser do grupo Folha. 

O tratamento dado à Folha de S. Paulo é um alerta para a Imprensa. Em uma democracia, um portal de mídia tradicional foi claramente confrontado por um governo eleito, imagina o que pode acontecer com meios alternativos de comunicação que se comportarem de forma democrática e opinativa contra as políticas a serem promovidas por Messias e sua trupe?

Não tenham dúvidas que a liberdade de expressão e a democracia estarão ameaçadas no futuro governo, que já constrange o país prestando continência a norte-americanos. Há quem julgue Cuba e Venezuela e ignoram o futuro que nos espera no Brasil.

Quem acha que não viveremos em uma ditadura, mesmo que disfarçada, tem é fixação por milico.

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