Fantástico

Vídeo - Livros didáticos do MEC são triturados e transformados em papel higiênico por falhas de gestão

País tem maior programa de distribuição de material didático do mundo, mas remanejo de sobras e falta de controle sobre pedidos causam prejuízo inestimável, mostra 'Fantástico'

09/12/2019 07h38
Por: Redação

Assista a reportagem no fim da matéria.

Toneladas de material didático distribuído pelo Ministério da Educação (MEC) às redes de ensino estaduais e municipais acabam no lixo todos os anos por conta da ineficiência da gestão de sobras. Muitas vezes, livros lacrados e intocados saem de depósitos empoeirados de escolas direto para centros de reciclagem, onde são comprados por R$ 0,30 o quilo, triturados e transformados em outros materiais, como papel higiênico, enquanto outros colégios sofrem com a falta de materiais. As informações foram levantadas pelo "Fantástico", da TV Globo, neste domingo.

No Brasil, os livros são distribuídos pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), considerado o maior do mundo. Na última compra, planejada em 2018, foram gastos R$ 2 bilhões em 126 milhões de livros, distribuídos, por sua vez, para 140 mil escolas brasileiras e beneficiando 35 milhões de alunos. Algumas escolas, no entanto, não recebem o número necessário, enquanto outras registram sobras que acabam abandonadas ou encaminhadas para a reciclagem pelos próprios colégios.

Os repasses são definidos de acordo com o número de matrículas realizadas a cada ano informado pelos diretores dos colégios. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), por sua vez, calcula a compra a ser feita pelo governo. Uma vez entregues aos estados e municípios, os materiais didáticos passam a ser responsabilidade dos gestores locais.

O MEC disponibiliza para as escolas de todo o Brasil uma plataforma digital para gerenciar o remanejo de livros, o Sistema de Controle de Remanejamento e Reserva Técnica (Siscort). Professores ouvidos pela TV Globo, no entanto, afirmam que a ferramenta não funciona. Alguns diretores dizem até desconhecer a possibilidade. Em outros casos, os livros encaminhados são diferentes dos escolhidos pelas coordenações pedagógicas e, por não atenderem às necessidades dos alunos, acabam inutilizados.

A denúncia da reportagem levou a Controladoria Geral da União (CGU) a anunciar uma auditoria geral do FNLD. Auditorias da CGU e do Tribunal de Contas da União (TCU) já haviam identificado o encalhe de livros didáticos no Piauí e no Paraná.

Assista a reportagem:

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