Censura

Juiz que censurou Porta dos Fundos não passou em concurso e defende privilégios por 'agruras' da magistratura

Alçado ao cargo de desembargador pela ex-governadora Rosinha Garotinho, Benedicto Ultra Abicair recebeu até R$ 58 mil por mês em 2019 e defende altos salários porque juízes não podem exercer outras atividades remuneradas "exceto no magistério, onde é impossível repor as perdas"

09/01/2020 11h11
Por: Folha
Fonte: Revista Forum
Arquivo Web
Arquivo Web

Estagiário por 5 anos em um escritório da família e advogado por outros 28 anos, Benedicto Ultra Abicair, que censurou o especial do Porta dos Fundos na Netflix, nunca prestou concurso público e foi alçado ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) em 2006 pela ex-governadora Rosinha Garotinho, na vaga destinada a advogados.

“Benedicto Abicair sai na frente para o JusPorn Awards 2020. Nunca prestou concurso. Teve a honra de ser nomeado pela governadora Ros Garotinho para o TJ/RJ. Não gosta que digam que juiz é privilegiado. Quem quer ter privilégio que preste concurso, diz ele”, publicou no Twitter nesta quinta-feira (9), o professor da Faculdade de Direito da USP, Conrado Hubner.

Polêmicas

Desde que se tornou desembargador, Benedicto Abicair coleciona uma série de polêmicas ao defender posições extremamente conservadoras em artigos publicados na mídia.

Em artigo no site Consultor Jurídico, em março de 2019, o desembargador defendeu os privilégios da magistratura – negando o termo -, pois os magistrados passam por muitas “agruras” na carreira, como morar em locais distantes e em acomodações precárias.

Segundo ele, os altos salários pagos a membros do judiciário são justificáveis porque os magistrados não podem exercer outras funções remuneradas “exceto no magistério (?!), onde é impossível repor as perdas e menos ainda obter ganhos extravagantes”.

“Como é difícil e sacrificante a vida na magistratura, pois no Judiciário são, aproximadamente, 17 mil magistrados decidindo conflitos entre mais de 200 milhões de pessoas naturais, além das pessoas jurídicas. (…) Já os ‘obtusos’ detratores reflitam, isentamente, e parem de apedrejar a magistratura e outras carreiras jurídicas do serviço público, que de privilegiadas nada têm, antes de serem todas extintas por falta de candidatos, pois não haverá atrativos que os animem a enfrentar a dura e espinhosa trajetória a que se submetem”, completou.

Em outro artigo no jornal O Globo, em fevereiro de 2019, critica duramente donos de cães doméstivos que, segundo ele, são “desprovidos de higiene adequada, pois não são banhados diariamente, não trajam indumentárias, nem calçam as patas, além de não realizarem higienização após suas necessidades fisiológicas, muito menos se utilizarem de fio dental, escova e pasta de dentes”.

No texto, ele defende “penas severas” para os donos. “(…) já passa do tempo de serem impelidas, com rigor, aos donos selvagens de cães domésticos regras e penas severas para que respeitem a cidadania daqueles que não são simpáticos ao convívio com cães domésticos e seus pelos, muito menos sentem prazer ao serem por eles cheirados e lambidos.”

Abicair também já defendeu o uso obrigatório de terno para todos os advogados para “preservar tradições”. “Que os jovens, como eu no início da carreira, se rebelem contra certos hábitos e costumes é plenamente aceitável e previsível. Porém, inconcebível que pessoas amadurecidas não enxerguem a necessidade de preservar tradições, em confronto com experiências anteriores”.

No texto, ele defende que até mesmo alunos de Direito retomem o hábito. “Os estudantes universitários, obrigatoriamente, vestiam-se com terno e gravata. A permissividade extinguiu o paletó, depois a gravata, em seguida, as camisas sociais e hoje frequenta-se as Faculdades de bermuda, saída de praia, camiseta regata e chinelo.”

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