Artigo

A diferença do médico brasileiro para o médico cubano

A ignorância e insensibilidade do brasileiro e a prova de humanidade do cubano, por Luiz Henrique Barbudinho

Barbudinho

BarbudinhoLuiz Henrique Barbudinho, é ativista digital e político, o maior digital influencer progressista do Brasil, com alcance superior a 60 milhões de usuários ao mês. Ficou conhecido nacionalmente e internacionalmente depois de ter invadido uma transmissão ao vivo da Rede Globo com uma placa chamando a emissora de "golpista".

07/12/2018 13h41
Por: Redação
Fonte: Portal Folha Impacto
Foto: Reprodução redes sociais
Foto: Reprodução redes sociais

No Brasil cursar medicina é status. Andar desfilando de jaleco ou exibindo camisetas, mochilas e jaquetas estampadas com o símbolo e nome do curso pelo campus é para se mostrar superior. A gente sabe que funciona assim. Pelo menos para a maioria dos discentes do curso, principalmente os de classe alta.

A grande maioria dos estudantes de medicina no Brasil nasceu em berço de ouro. Famílias tradicionais que tiveram condições de bancar um bom colégio ou um cursinho preparatório de ingresso ao tão disputado e sonhado curso.

Adolescentes que cresceram sem enfrentar dificuldades, tendo tudo nas mãos e aos seus pés, vendo seus desejos facilmente e rapidamente sendo realizados pelos pais, tornam-se automaticamente conservadores e intolerantes com a classe mais pobre do país.

Não conseguem interpretar o que é diferença de classe. 

Posicionam-se contra a política de cota. 

A educação das escolas particulares deveria pregar mais pela igualdade.  Uma gama de jovens está crescendo, se formando e construindo sua ideologia com pensamentos abomináveis, regados de preconceito e intolerância. Não é à toa que Bolsonaro levantou multidões para defender suas ideias.

Uma história em quadrinhos que viralizou na internet, mostra em um dos quadros uma mãe rica com seu filho de mãos dadas, passando por uma família que pedia esmola na rua. A mãe olha para o filho e diz: “estude bastante para você não acabar como eles”. Em outro quadro mostra uma mãe de classe média, também de mãos dadas com o filho, passando em frente à mesma situação do quadro anterior. A mãe olha para o filho e diz: “Estude bastante, para um dia você ter condições de ajudar eles com políticas públicas”.  

Fica fácil entender o motivo de tantos jovens disseminarem ódio e compactuarem com a violência.

Os mais ricos alimentam a cultura segregacionista da nossa sociedade, não entendem a diferença de feminismo e machismo ou interpretam os direitos humanos da maneira mais rude e ignorante. 

O problema do jovem de classe alta está em casa, da forma como os pais o educam.

Diferente do adolescente que cresce em Cuba. Uma realidade completamente diferente da nossa. Um país com dificuldades imensas, mas um povo unido que transmite exemplo de humanidade para o mundo todo. 

Os médicos cubanos foram heróis no desastre do terremoto do Haiti. Uma brigada de 1.200 médicos cubanos operou em todo o país, rasgado por terremotos e infectado com cólera, como parte da missão médica internacional de Fidel Castro, que ganhou muitos amigos para o Estado socialista, mas pouco reconhecimento internacional.

Os médicos itinerantes têm servido como uma arma extremamente útil da política externa e econômica do governo, gahando amigos e favores em todo o globo terrestre. O programa mais conhecido é a "Operação Milagre", que começou com os oftalmologistas tratando os portadores de catarata em aldeias pobres venezuelanas em troca de petróleo. Esta iniciativa já restaurou a visão de mais 1,8 milhões de pessoas em 35 países, incluindo o de Mario Terán, o sargento boliviano que matou Che Guevara em 1967.

A Brigada Henry Reeve, rejeitada pelos norte-americanos após o furacão Katrina, foi a primeira equipe a chegar ao Paquistão após o terremoto de 2005, e a última a sair seis meses depois.

Um terço dos 75 mil médicos de Cuba, juntamente com 10.000 trabalhadores de saúde, estão atualmente trabalhando em 77 países pobres, incluindo El Salvador, Mali e Timor Leste. Isso ainda deixa um médico para cada 220 pessoas em casa, uma das mais altas taxas do mundo, em comparação com um para cada 370 na Inglaterra. Sem falar que a medicina de Cuba é exemplo para o mundo todo. Inclusive, foi em Cuba que a vacina Teravac-HIV foi desenvolvida. Com o objetivo de reduzir a carga viral de portadores do vírus HIV, Teravac-HIV apresentou resultados positivos na fase de testes clínicos com humanos. 

Alguém viu alguma notícia similar relacionada a um conjunto de médicos brasileiros? Mais do que isso, vocês acham que médicos brasileiros se submeteriam a atuar em situações precárias, com risco de dano a própria saúde para ajudar outros países?

Se nem no Brasil, médicos brasileiros quiseram trabalhar no interior ou em cidades e comunidades mais isoladas pelo Mais Médicos, imagina fazer alguma solidariedade para outro país pobre do mundo?

Isso vai se confirmar quando for divulgado o resultado das inscrições no programa. O que restará ao governo será obrigar os estudantes de medicina de Universidades Federais a substituir os médicos cubanos, como já foi divulgado. Confira aqui.

Como eu disse no final do meu outro texto, eleitores de Bolsonaro só vão se arrepender quando começarem a sentir o reflexo do governo no Bolso. Os mais pobres, quando faltar atendimento no posto de saúde.

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