Gabriela Prioli

Vídeo - Gabriela Prioli ‘janta’ mais um jornalista bolsonarista

'É importante que o governo federal tome a liderança do processo e não que somente reaja' diz Gabriela Prioli

24/03/2020 15h10Atualizado há 2 semanas
Por: Folha
Fonte: Catraca Livre
Arquivo Web
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Ontem pela manhã o programa “Grande Debate” da CNN Brasil foi parar nos Trending Topics do Twitter. No quadro, um mesmo tema é discutido sobre pontos de vista diferentes. Tomé Abduch e Gabriela Prioli discutiram hoje sobre a divergência entre o presidente de República e alguns governadores no combate ao coronavírus, e a comentarista pediu o protagonismo do governo sobre a questão.

Grande debate discute o atrito entre os governantes do país no combate ao coronavírus

A discussão foi levantada, pois, numa entrevista, João Doria, governador de São Paulo, cutucou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre sua apatia em relação a tomar medidas preventivas para reduzir a disseminação do coronavírus. O trecho desta fala é exibido antes dos debatedores falarem. No vídeo, o governador diz: “Gostaria que o presidente liderasse o país numa crise como essa. Nós, em São Paulo, e os outros governadores em seus respectivos estados, prefeitos e prefeitas dos municípios, estão cumprindo sua obrigação, fazendo aquilo que deve ser feito e aquilo que o presidente Bolsonaro não consegue fazer”, lamenta.

Por sua vez, o presidente afirmou que alguns governadores estão tomando atitudes drásticas, visando às eleições, e chamou o tucano de “lunático” e aproveitador: “Lunático, tá se aproveitando desse momento para querer crescer politicamente”, afirma.

Na CNN Brasil, Tomé Abduch, que deu início ao debate, concorda com o presidente, dizendo que alguns governantes estão tomando medidas preocupados com as eleições. Ele fala também que o governo federal “está sendo criterioso, com o pé no chão”.

Na sequência, Gabriela Prioli fala sobre a necessidade de isolamento social para achatar a curva de disseminação do vírus e traz à tona a questão que o presidente minimiza a pandemia: “Presidente da República desmente o ministro da Saúde, dizendo que acha que não vai ter caos na saúde”, e acrescenta: “Jair mantém a retórica dele de que o vírus tem uma importância menor”.

Com isso, ela embasa seus argumentos e cobra protagonismo do presidente, dizendo que ele, de forma sistemática, sempre transfere a responsabilidade aos outros: “Me parece uma postura que permite a ele se eximir de responsabilidade no futuro. Porque claro, liderança pressupõe responsabilidade. A partir do momento que ele não lidera, ele se exime da responsabilidade e consegue transferir para as outras pessoas. O que é uma conduta sistemática por parte do presidente da República. A gente vê aí um governo que joga muito a culpa no Congresso, joga muito a culpa na mídia, enfim. Joga a culpa em outros atores para eximir de responsabilidade o próprio chefe do Poder Executivo”, afirma.

A seguir, eles discutem sobre o impacto econômico e a necessidade de fazer o isolamento que pode prejudicar a economia. Gabriela reforça sua preocupação: “Eu espero que nós não adotemos uma retórica de absoluto descaso com essas pessoas, são vidas humanas”, sobre a necessidade do isolamento voluntário.

Tomé então critica o governador de São Paulo, por ter tomado medidas preventivas contra o coronavírus e também permitido a realização do Carnaval que, pode ter contribuído para a propagação do vírus. Ele acrescenta que o isolamento não precisa ser feito por todas a pessoas: “Eu não posso simplesmente parar minha vida toda e não fazer mais nada. As pessoas que estão fora do grupo de risco têm que tomar a postura para ajudar o Brasil e não simplesmente ficar jogando pedra em tudo que é feito”,  se exalta.

Em contrapartida, Gabriela rebate que “a análise do mundo não precisa ser binária” e diz que ela não concordar com algumas atitudes dos governadores, não justifica o fato de não elogiar as atitudes que eles tomaram para combater a prevenção do vírus “diante da inércia do governo federal”. Nessa hora, ela defende que o Carnaval foi realizado antes de ser declarada pandemia pela OMS. E que, após essa declaração, o presidente foi quem saiu às ruas e cumprimentou pessoas numa manifestação.

Tomé defendeu com unhas e dentes o presidente e disse que “é uma retórica que está sendo colocada para destruir o governo Jair Bolsonaro”. Que estaria sim, preocupado com as pessoas e com o vírus. Nisso, Gabriela rebate que “o presidente da República muitas vezes fala coisas que não correspondem com a realidade” e citou exemplos. “Acho muito complicado essa insistência de colocar o presidente da República como vítima”. A esta fala, Tomé acrescenta: “A vítima não é ele não [presidente]. A vítima é o povo brasileiro com o que tá acontecendo”.

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