Terça, 26 de Maio de 2020
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Geral Ciro Gomes

Disputa mundial por respiradores e máscaras reforça proposta de Ciro Gomes sobre complexo industrial da saúde

Preocupado com a desindustrialização brasileira, o então candidato do Planalto pelo PDT, Ciro Gomes, incluiu em sua plataforma de campanha de 2018 uma proposta para investir num complexo industrial da Saúde.

06/04/2020 15h45
Por: Folha
Arquivo Web
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Preocupado com a desindustrialização brasileira, o então candidato do Planalto pelo PDT, Ciro Gomes, incluiu em sua plataforma de campanha de 2018 uma proposta para investir num complexo industrial da Saúde.

O candidato escolheu quatro áreas, que priorizaria para estímulo estatal. Uma delas, o:

Complexo industrial da saúde, que gera um déficit de 20 bilhões de dólares nas nossas contas, embora grande parte dos componentes químicos e remédios importados esteja com patente vencida.

A criação de institutos de engenharia reversa, por exemplo, resolveria esse problema em alguns anos e baratearia muito o custo de nossa saúde e remédio.

A proposta ganha um sentido de urgência neste momento, em que países de todo o mundo competem pelo fornecimento de respiradores, máscaras, luvas e outros equipamentos de proteção para combater a pandemia do coronavírus.

Nos Estados Unidos, o governador de Montana, Steve Bullock, corre atrás de 1 milhão de máscaras para preparar os servidores da Saúde.

Porém, ele compete no mercado com outros 49 estados americanos e com o próprio governo federal, que faz compras através da Agência Federal de Gestão de Emergências, a FEMA.

Os Estados Unidos enfrentam neste momento forte impacto da pandemia e foram o primeiro país do mundo a encarar mais de mil mortes por dia por causa do coronavírus.

De acordo com o governador de Nova York, Andrew Cuomo, a competição entre os próprios estados americanos e o governo federal fez dobrar o preço dos respiradores, para perto de U$ 40 mil a unidade.

Depois de praticamente esgotar os estoques estratégicos federais, o governo Trump está varrendo o mundo atrás de material médico.

Já recebeu ajuda da Rússia e, numa parceria com empresas da área médica, está organizando vôos para trazer provisões de várias partes, especialmente da China.

Nos Estados Unidos, governadores reclamam de terem sido atropelados pelo governo federal na hora de fechar negócios.

O mesmo aconteceu com o Brasil, que teve negócios cancelados na China depois da ofensiva de Trump.

“Só acredito na hora que estiver dentro do país e na minha mão. Tenho contrato, documento e dinheiro. Às vezes o colapso é quando tem dinheiro e não tem o produto. O mundo inteiro também quer. Tem problema de demanda hiperaquecida”, explicou o ministro Luiz Henrique Mandetta, da Saúde, sobre compras feitas para o SUS — inclusive de 8 mil ventiladores mecânicos.

No Brasil, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro estão desenvolvendo às pressas um respirador, em fase de testes.

Fabricantes nacionais foram instados a aumentar a produção.

O próprio presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde (Abimed), Fernando Silveira Filho, no entanto, disse que o Brasil talvez não possa contar com peças ou aparelhos importados, também por causa de dificuldades de logística:

“Alguns países já proibiram a exportação desse equipamento. Tem a questão do transporte aéreo também. Com a redução de voos, fica mais difícil a logística de importação”, disse ao Estadão.

Embora a proposta de Ciro Gomes tenha sido feita quando não havia pandemia no horizonte, no cenário pós-crise ela ganha importância, por ser o caminho para garantir a soberania na produção de equipamento médico.

“A proposta é produzir aqui tudo o que puder na área da Saúde. Vamos virar o complexo global na área”, afirmou o pedetista quando estava em campanha.

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