Sexta, 25 de Setembro de 2020
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Política Saúde

O Brasil não tem mais ministro da Saúde. Por Fernando Brito

Hoje completam-se sete dias do falecimento do Ministério da Saúde, para a desgraça do Brasil.

22/04/2020 11h16
Por: Folha Fonte: DCM
Arquivo Web
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Escrevi aqui, há uma semana, quando o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta perdeu o cargo de fato – o enterro seria na quinta-feira, apenas – que o Brasil não tinha mais ministro da Saúde.

E não tem.

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Tem um interventor, imobilizado, que não fala à população, nem mesmo aos jornalistas, que só aparece em vídeos pré-gravados devidamente preparados, com a imagem soturna de Jair Bolsonaro às costas, como se o alucinado estivesse (e está) atento a qualquer heresia que vá dizer.

Tudo o que diz é que está “colhendo informações”, enquanto já se semeiam as covas de uma safra macabra de corpos de brasileiros.

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Bolsonaro obteve, com Nelson Teich, o que desejava: já ninguém do governo se opõe à sua insânia de impor a volta de uma imaginária normalidade que empurre a tragédia sanitária para o grau de uma hecatombe social, com a qual pretende empurrar-se para um poder totalitário.

O “ungido” crê que a praga é um sinal para sua tribo de fanáticos o leve a submeter tudo e todos.

Assim que o interventor foi nomeado, alguns disseram que ele tinha capacidade e era respeitado por seus pares. Seria um “técnico”, um “gestor”, estas categorias frias que, de tempos para cá, muitos acostumaram-se a tomar por ideais para governar-nos.

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Está claro que não são. São úteis, até indispensáveis, mas não se movem por causas, não põe em movimento aquilo que faz, de fato, a vida de um país: o seu povo.

Não se dirá aqui que ele seja responsável pelas mortes que assistimos hoje, mas por quantas será, adiante, ao deixar de liderar, como seria seu dever, as defesas parcas que possuímos, que é nossa perseverança?

Não sabe se fazer uma referência, não se preocupa em estimulá-lo a resistir às dificuldades por que está passando, é incapaz de adverti-lo de que a ânsia em sair à rua é a chance da morte, e que o fim do isolamento é dobrar, triplicar o tamanho das baixas que a população terá.

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Sua única missão é desaparecer-se e não atrapalhar o chefe.

Hoje completam-se sete dias do falecimento do Ministério da Saúde, para a desgraça do Brasil.

O que lhe faz de interventor não oculta, nas suas gravações, que a imagem está trocada. É ele quem é apenas um retrato fúnebre e quem manda em tudo é o que está atrás dele, na parede.

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