Terça, 26 de Maio de 2020
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Geral Rio de Janeiro

João Pedro é o quarto menino morto em ações genocidas da polícia de Witzel

O garoto João Pedro, de 14 anos, é a quarta criança morta em ações genocidas da polícia do governo Wilson Witzel.

19/05/2020 11h33
Por: Redação Fonte: Do UOL Notícias
João Pedro é o quarto menino morto em ações genocidas da polícia de Witzel

O adolescente João Pedro Mattos, de 14 anos, morreu ontem durante uma operação da Polícia Civil e da Polícia Federal no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio.

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Familiares e amigos da vítima relataram ao UOL que ele brincava no quintal da casa de um tio, quando policiais invadiram o imóvel e o atingiram na barriga. Já a Polícia Civil alega que o adolescente foi atingido durante uma troca de tiros entre bandidos e policiais, sendo socorrido de helicóptero.

Médicos do Corpo de Bombeiros prestaram atendimento, mas ele não resistiu aos ferimentos. O corpo foi encaminhado para o IML (Instituto Médico Legal) de São Gonçalo.

O caso ocorreu na Praia da Luz, em São Gonçalo. De acordo com moradores, a família ficou sem informações sobre o local onde João Pedro foi socorrido. Em entrevista ao UOL, uma tia da vítima e uma amiga da família disseram que João estava brincando com dois primos, quando policiais entraram na casa e acertaram um tiro na barriga do jovem.

"Ele nem estava saindo de casa por conta dessa pandemia. Aí, o primo passou na casa dele e foi lá buscá-lo para brincar. Eles estavam no quintal da casa. Ele se assustou com o policial, e o policial atirou na barriga dele. Até agora não sabemos de nada. Se ele morreu no local, a caminho do hospital", disse Georgia Matos de Assis, 41, tia de João Pedro.

De acordo com ela, os familiares fizeram buscas durante toda a madrugada. "Rodamos tudo isso aqui, São Gonçalo, Niterói, atrás dele. Até no Rio fomos. Só localizamos no IML aqui de Tribobó [em São Gonçalo]. Um descaso com a vida do menino", lamentou.

A família está imobilizada, estamos acabados, ele era um menino muito bom, era estudante de um colégio particular. A mãe dele é professora, família da igreja

Georgia Matos de Assis, tia de João Pedro

Uma amiga da família explicou que o relato foi feito de helicóptero, mas que a família foi impedida de embarcar com João Pedro. "Obrigaram a socorrê-lo até um campo de futebol, onde o helicóptero fez o resgate, mas impediram que os familiares embarcassem junto com ele. A família ficou sem notícias a noite toda e agora de manhã localizaram o João no IML", afirmou Érika de Souza.

A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI) instaurou inquérito para apurar a morte do adolescente e informou que "foi realizada perícia no local e duas testemunhas prestaram depoimento na delegacia".

Os policiais também foram ouvidos e as armas apreendidas para confronto balístico. "Outras diligências estão sendo realizadas para esclarecer as circunstâncias do fato", informou a instituição.

De acordo ainda com a Polícia Civil, a ação visava o cumprimento de dois mandados de busca e apreensão contra lideranças do tráfico na região. Durante a ação, supostos seguranças dos traficantes teriam tentado fugir, pulando o muro de uma casa. Segundo os policiais, eles efetuaram disparos e arremessaram granadas na direção dos agentes, que responderam. No local foram apreendidas granadas e uma pistola.

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