Terça, 26 de Maio de 2020
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Geral Véio da Havan

“São Paulo é o estado mais comunista do Brasil”, afirma dono da Havan

Bolsonarista ferrenho, Luciano Hang passa a vender arroz e feijão e briga na Justiça para reabrir as lojas fechadas por causa da pandemia

21/05/2020 22h00
Por: Redação Fonte: Revista Veja
“São Paulo é o estado mais comunista do Brasil”, afirma dono da Havan

O empresário catarinense Luciano Hang, dono da Havan, rede de 145 lojas de departamento espalhadas pelo país, vem travando uma batalha na Justiça para tentar reabrir 16 estabelecimentos que permanecem fechados por causa da pandemia do novo coronavírus. Bolsonarista ferrenho, Hang não poupa críticas ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB): “É o estado mais comunista do Brasil”, afirmou a VEJA. Das 16 lojas que permanecem fechadas, 11 estão localizadas no interior paulista. Uma delas, na cidade de Marília, foi lacrada no início da semana por ordem da Justiça, depois que a empresa insistiu em continuar com as portas abertas com a justificativa de que nada mais é que um hipermercado, ou seja, atua em uma atividade essencial.

Após o início da pandemia, as maiores lojas da Havan incluíram itens como arroz, feijão e óleo de cozinha, em meio a utilidades domésticas e eletrodomésticos, que são o forte da varejista. Na decisão de um juiz de Marília, porém, a inclusão de itens de cesta básica nas prateleiras da Havan não passa de um artifício da empresa para burlar as regras de quarentena, que proíbem a abertura de estabelecimentos não essenciais. “Pretender sustentar em juízo que a Havan é supermercado, com todas as vênias, é atentar contra a realidade dos fatos e basta uma simples consulta ao sítio eletrônico da empresa impetrante”, escreveu o magistrado Walmir Idalêncio dos Santos Cruz.

Hang rechaça a decisão: “Sou eu que estou tento meu direito afrontado! Eu vendo o que eu quiser dentro das minhas lojas, de acordo com que o registro da minha empresa permite. Eu estaria fazendo sacanagem se tivesse mudado meu contrato social no meio da pandemia, mas sou cadastrado como hipermercado há mais de 30 anos.  Se um hipermercado, como o Carrefour, pode vender alimentos, televisão, roupa etc etc, por que não posso vender isso tudo e também alimentos?”, indagou o empresário.

Leia os principais trechos da entrevista:

A Havan passou a vender alimentos, como arroz e feijão, que nunca fizeram parte de seu portfólio. Essa é uma estratégia para se enquadrar nos decretos de quarentena, que só permitem o funcionamento de estabelecimentos de atividades essenciais?

Olha, eu sempre digo que eu adoro uma crise. E quanto maior ela for, melhor. Para mim, que já nasci na crise, em 1986 (quando fundou a Havan, período de inflação e forte instabilidade econômica), estou acostumado a me reinventar. Essa é a hora de procurar o novo. Nós crescemos muito, 200%, 300%, em vendas online nesse período da pandemia em relação a 2019, e também começamos a vender alimentos em algumas lojas, aquelas com maior espaço. Nós podemos fazer isso, porque que temos o CNAE (registro de Classificação Nacional de Atividade Econômica, que define o ramo de atuação das empresas) de supermercado e hipermercado. A Havan tem 34 anos de história e já vendemos vinhos, chocolates, produtos estrangeiros. Crise é isso: é superar obstáculos, é desenvolver formas de sobrevivência. A área de alimentação faz parte da estratégia de aumentar as vendas nesse momento.

Mas o juiz de Marília, que decidiu pela lacração da loja na cidade, não aceitou essa justificativa.

O juiz não tem de dar opinião dele, tem de se ater a fatos. O juiz de Marília está sendo ativista político. Ele tem ideologia, é diferente. Foi o único que deu uma decisão esdrúxula e pessoal. Seria sacanagem minha, se eu tivesse mudado meu contrato social no meio da pandemia para vender alimentos, mas não fiz isso. Sou cadastrado como hipermercado há mais de 30 anos. Sou eu que estou sendo afrontado no meu direito. Eu só quero isonomia. Se eu tenho alvará para isso, eu vendo o que eu quiser. Há empresas de e-commerce que passaram a vender itens de supermercado. O Magazine Luiza fez isso. Eu vou vender alimentos em lojas físicas, onde eu tenho espaço, e vender em cinco vezes, sem entrada e sem acréscimo. Eu tenho alvará, tenho de ter liberdade para isso. Eu é que estou sendo vítima de juízes, de procuradores, de promotores, que usam sua caneta para impor sua ideologia.

Leia a entrevista completa no site da Veja aqui.

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