Quarta, 30 de Setembro de 2020
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Geral Jornal Nacional

Vídeo - Bonner e Renata denunciam negligência e negacionismo de Bolsonaro com a Covid na abertura do JN

Assista ao vídeo no final da matéria

08/08/2020 22h05
Por: Redação Fonte: UOL
Reprodução: TV Globo
Reprodução: TV Globo

William Bonner e Renata Vasconcellos subiram o tom contra Jair Bolsonaro no Jornal Nacional deste sábado (8). Os âncoras do principal telejornal do país dispensaram o habitual "boa noite" ao iniciar a escalada do noticiário e foram diretos ao assunto. Com pausas dramáticas, semblantes apreensivos e bastante duros e diretos em suas falas, eles apontaram os erros do presidente da República ao citar as mais de 100 mil mortes por Covid-19 no Brasil.

"Todo cidadão brasileiro tem direito à saúde. E todos os governantes brasileiros tem a obrigação de proporcionar aos cidadãos esse direito. As ações dos governantes precisam ter como objetivo diminuir o risco de a população ficar doente e não somos nós que estamos dizendo isso, é a Constituição Brasileira, que todas as autoridades brasileiras juraram respeitar", disse Bonner na abertura.

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"Tá registrado no artigo 196: 'A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e e serviços para sua promoção, proteção e recuperação'", completou.

Renata Vasconcellos emendou citando que desde maio o país não conta com um titular à frente do Ministério da Saúde e que os dois últimos médicos que ocuparam a cadeira deixaram o posto de trabalho por divergências com Bolsonaro.

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"Mas o Brasil está há 12 semanas sem um ministro da saúde titular. São 85 dias desde o dia 15 de maio. Dois médicos de formação deixaram o cargo de ministro da saúde porque pretendiam seguir as orientações da ciência. E o presidente Bolsonaro não concordou com essa postura deles", frisou a jornalista.

"Primeiro o presidente menosprezou a Covid. Chamou de gripezinha. Depois, quando um repórter pediu que ele falasse sobre o número alto de mortes, Bolsonaro disse que não era coveiro. Disse duas vezes "não sou coveiro". Quando os óbitos chegaram a 5 mil, a resposta dele a um repórter foi um "e daí?". Agora o presidente repete que a pandemia é uma chuva e que todos vão se molhar. Ou que a morte é o destino de todos nós e que temos de enfrentar a doença, como se fosse uma questão de coragem. Como se nada pudesse ter sido feito", acrescentou Bonner.

"Quando os cientistas defendiam mundo a fora o isolamento social como única medida capaz de conter o avanço dessa tragédia, os brasileiros viam o presidente criticar essa iniciativa diariamente, na contramão do bom senso daqueles governadores que a defendiam. O resultado disso foi a confusão e a perplexidade de muitos cidadãos que ficaram sem saber em que acreditar. E o isolamento capenga, insuficiente para atingir plenamente o seu objetivo", seguiu Renata.

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"No Jornal Nacional você viu aqui filas enormes de desesperados em busca de um leito salvador de UTI. Filas que se formavam e se formam porque os leitos não foram comprados a tempo e na quantidade adequada por prefeitos, governadores e pelo presidente. Ou porque a falta de isolamento social deixou de achatar a curva de contaminados e sobrecarregou o sistema de saúde", falou o âncora.

"Diante disso tudo, é necessário relembrar a constituição, porque isso nos levanta uma perguna importantíssima. Nós já mostramos o que diz o artigo 196: 'É dever das autoridades que governam o país implementar políticas que visem reduzir o risco de doenças'. E a pergunta que se impõem é: O presidente da República cumpriu esse dever? Entre os governadores e prefeitos, quem cumpriu? Quem não cumpriu? Mais cedo ou mais tarde, o Brasil vai precisar de respostas para essas perguntas. É assim nas democracias e nas repúblicas, em que todos temos direitoos e deveres e onde ninguém está acima da lei", acrescentou a jornalista.

"Essa resposta vai ter que ser dada, principalmente, em respeito as famílias de mais de 100 mil brasileiros mortos, porque eles não podem ser vistos só como números. O Jornal Nacional não vai se cansar de repetir. Essas vidas perdidas eram de brasileiros como todos nós. Não eram pessoas que estavam fadadas a morrer por qualquer outro motivo. Elas morreram de Covid. Deixaram uma família em dor, amigos, colegas de trabalho, conhecidos. Nós não podemos nos anestesiar", emendou Bonner.

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"100 mil pessoas. Nós reconhecemos a dor de todos os que perderam alguém querido nessa pandemia. Nós respeitamos essa dor e manifestamos a nossa solidariedade irrestrita com cada um", completou Renata, encerrando a abertura do Jornal Nacional.

Nas redes sociais, o noticiário rapidamente se tornou um dos assuntos mais comentados. Os telespectadores celebraram mais uma "jantada" de Bonner e Renata em Bolsonaro, e lamentaram o alto número de mortes no país.

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