Sexta, 27 de Novembro de 2020
51993949307
Geral Vacina

Bolsonaro desautoriza Pazuello sobre pacto por vacina chinesa

Bolsonaro também manifestou publicamente sua percepção negativa sobre a vacina chinesa.

21/10/2020 09h28
Por: Folha Fonte: Poder 360
Isac Nóbrega/PR
Isac Nóbrega/PR

O presidente Jair Bolsonaro decidiu cancelar o acordo firmado pelo Ministério da Saúde para a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac, a vacina contra covid-19 desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo.

Bolsonaro enviou mensagens a ministros com o seguinte teor:

Continua depois da publicidade

“Alerto que não compraremos vacina da China.

Bem como meu governo não mantém diálogo com João Doria sobre covid-19“.

Continua depois da publicidade

O presidente e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), são desafetos políticos.

Bolsonaro também manifestou publicamente sua percepção negativa sobre a vacina chinesa. Em resposta a usuários do Facebook, o presidente reforçou que o Brasil não comprará o imunizante da China e falou até em “traição“.

Continua depois da publicidade

A decisão de Bolsonaro desautoriza o ministro Eduardo Pazuello (Saúde), que havia assinado o protocolo para a aquisição das doses na véspera (3ª feira, 20.out.2020). Eis o anúncio (84 KB) feito pela pasta na tarde desta 3ª feira.

O acordo previa a edição de medida provisória para disponibilizar crédito de R$ 1,9 bilhão para comprar as vacinas.

Continua depois da publicidade

Entusiasta da CoronaVac, João Doria tem reunião nesta 4ª feira (21.out), em Brasília, com o presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres.

A agência precisa autorizar o registro da vacina para que as doses possam ser disponibilizadas à população.

Bolsonaro e Doria tem atuado em polos opostos e protagonizado embates durante a pandemia. O presidente é contrário às medidas mais restritivas para obrigar o isolamento social, enquanto o governador paulista estimulou ampla quarentena no Estado mais rico do país. Os 2 chegaram a bater boca publicamente em reunião realizada em março.

Nos últimos dias, Bolsonaro e Doria têm divergido também sobre a obrigatoriedade da aplicação da vacina assim que ela estiver disponível. O tucano diz que irá exigir a imunização em São Paulo. Já o presidente afirma que o governo federal não tornará a vacinação obrigatória e que cabe ao Ministério da Saúde recomendações dessa natureza.

CORONAVAC X OUTRAS VACINAS

A vacina chinesa contra a covid-19 está na 3ª e última fase de testes. De acordo com o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, a segurança da substância já está comprovada. Falta agora ter certeza sobre sua eficácia.

No início desta semana, autoridades paulistas apresentaram os resultados dos estudos mais recentes com a CoronaVac. Segundo os estudos, 35% dos 9.000 voluntários tiveram reações leves, como dor no local da aplicação, e nenhum efeito colateral grave durante os testes. O resultado representa que a vacina tem “excelente perfil de segurança“, de acordo com Dimas Covas. “É a vacina mais segura, no momento. Não no Brasil. No mundo“.

Os testes com a CoronaVac no Brasil são realizados desde julho com 13.000 voluntários em São Paulo e mais 6 Estados, bem como no Distrito Federal. As doses são aplicadas em profissionais de saúde que atuam no combate à pandemia. Ainda neste mês os testes serão expandidos também para idosos, gestantes e portadores de doenças preexistentes.

O Ministério da Saúde tem acordo para compra de imunizantes da AtraZeneca (Reino Unido) e também de adesão à aliança internacional Covax.

Pesquisa realizada em agosto pelo PoderData mostrou que as vacinas em desenvolvimento que mais inspiram a confiança dos brasileiros são as dos Estados Unidos. São 26% da população os que dizem que preferem tomar a vacina norte-americana, caso várias sejam disponibilizadas. As vacinas chinesas foram a opção escolhida por só 8% dos entrevistados.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Ele1 - Criar site de notícias