Quarta, 25 de Novembro de 2020
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Geral Mari Ferrer

Além do estupro, Mari Ferrer foi vítima da ‘narrativa da desqualificação’, afirma advogada Mariana Serrano

“A narrativa da desqualificação é usada por advogados com o objetivo de analisar as condutas da vítima e tirar dessa vítima o atributo que faz dela uma vítima”, explicou à TV 247 a especialista. Assista

08/11/2020 16h15
Por: Redação Fonte: Brasil 247
Mariana Serrano (Foto: Divulgação | Reprodução)
Mariana Serrano (Foto: Divulgação | Reprodução)

A advogada e co-fundadora da Rede Feminista de Juristas Mariana Serrano explicou à TV 247 que a humilhação a qual foi submetida a jovem Mariana Ferrer durante audiência sobre acusação de estupro faz parte de um fenômeno chamado pela especialista de “narrativa da desqualificação”.

A advogada esclareceu que tal estratégia tem o objetivo de apontar supostos desvios de conduta da vítima para que ela perca, assim, seu status de vítima e consequentemente tenha seu direito de defesa contestado. “A narrativa da desqualificação acontece em casos de violências contra mulheres e é usada por advogados de defesa que pegam diversos elementos discursivos, que não têm nada a ver com a violência que está acusada naquele caso, com o objetivo de analisar as condutas da vítima e tirar dessa vítima o atributo que faz dela uma vítima”, disse.

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Serrano também falou que as mulheres, diante do senso comum, precisam provar sua inocência para aí sim conquistarem o direito de serem defendidas e tratadas humanamente como vítimas de violência. “No imaginário popular existem atributos simbólicos que fazem a mulher vítima. Os homens não precisam provar esses atributos simbólicos quando eles são vítimas de crimes. Se você falar de um homem que está desmaiado e chega uma mulher com uma cinta pênis e faz coito anal com ele contra a vontrade dele, indubitavelmente as pessoas vão saber que foi um estupro, porque ele estava desmaiado e não tinha condições de dizer se ele gosta dessa prática ou não. Quando a gente fala da mulher, a sociedade impõe essa análise de se ela é a vítima perfeita”.

“No caso da Mari Ferrer o advogado [de defesa do acusado, André de Camargo Aranha] precisou falar que ela não era virgem mostrando fotos e fazendo aquele show de horrores. Veja: se ela é virgem, ela é quase uma santa, e se ela é quase uma santa ela merece defesa. Esse é o objetivo da narrativa da desqualificação, tirar o atributo de vítima falando que a mulher não merece defesa”, concluiu.

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