Sábado, 06 de Março de 2021
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Saúde Volta às aulas

Não vou forçar aluno a vir na aula em plena pandemia, diz diretora

Diretora de uma das maiores escolas estaduais de São Paulo, Heloísa Tavares afirma que, enquanto seus alunos não sentirem segurança o suficiente para retornar às aulas presenciais em meio à pandemia do novo coronavírus, não forçará nenhum deles a ir, sobretudo os que estão em grupos de risco.

09/02/2021 20h02
Por: Redação Fonte: Folha de S. Paulo
Foto: Luis Adorno/Uol | Heloisa Tavares, diretora da Escola Estadual Brigadeiro Galvão Peixoto, em SP.
Foto: Luis Adorno/Uol | Heloisa Tavares, diretora da Escola Estadual Brigadeiro Galvão Peixoto, em SP.

Diretora de uma das maiores escolas estaduais de São Paulo, Heloísa Tavares afirma que, enquanto seus alunos não sentirem segurança o suficiente para retornar às aulas presenciais em meio à pandemia do novo coronavírus, não forçará nenhum deles a ir, sobretudo os que estão em grupos de risco. Já os alunos que desejarem ir, serão acolhidos.

"Eu esperava que viriam mais alunos hoje. Acredito que amanhã virão mais, porque um aluno vai falando que está tranquilo para o outro e eles começam a ter mais confiança. Mas eu perdi minha mãe, não vou forçar aluno a vir no meio da pandemia, afirmou a diretora da Escola Estadual Brigadeiro Gavião Peixoto, no bairro de Perus, zona norte.

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Nas fases amarela, laranja e vermelha do plano de flexibilização paulista, onde todo o estado se encontra atualmente, a escolha de ir ou não à aula é do aluno e da família dele. A presença física só poderá ser cobrada a partir da fase verde do plano. Ou seja, os estudantes podem continuar acompanhando as aulas remotamente.

No primeiro dia de retorno presencial na escola, dos 350 estudantes esperados, apenas 110 compareceram. Havia distanciamento nas salas de aula e material escolar individual. Professores e alunos estavam de máscaras. Frascos de álcool em gel também estavam disponíveis nas salas e nos corredores.

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Heloísa, que cresceu em Perus, estudou a vida inteira na escola que hoje é diretora. Ela conta que a mãe dela não teve covid-19, mas morreu de maneira indireta por conta da pandemia. "Ela teve um mal-estar. Levamos para o hospital do Servidor Público. Foram pedidos alguns exames do coração. Quando ia fazer o retorno, o cardiologista dela morreu de covid. Ela ficou sem passar. Uma semana depois, ela infartou. A covid tem desdobramentos", disse.

Na escola, houve registro de uma professora morta após ter sido infectada pelo novo coronavírus. De acordo com professores da escola, ela não foi infectada no ambiente escolar. "A professora Ivana era do grupo de risco, tinha pressão alta. Ela testou positivo no final de novembro do ano passado, ficou bastante tempo internada. Quando ela melhorou, também infartou e não resistiu", relembrou.

Socialização e alimentação

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A vice-diretora da escola, Priscila Salvatico, viveu no bairro por duas décadas e também sempre estudou na Gavião Peixoto. Para ela, é desconexo dizer que as aulas voltaram, porque ela diz que não parou em nenhum momento: Sempre esteve na escola imprimindo atividades ou entregando itens aos alunos e familiares. Priscila disse entender que há prós e contras no retorno dos alunos às aulas presenciais. "A gente entende a necessidade. A escola faz falta, é a esperança e o futuro. Pode ser feita remotamente, mas cada escola tem sua peculiaridade", afirmou.

"Dentro do contexto que nós vivemos, dentro da periferia, a escola tem muitos papeis. Tem a socialização, a alimentação, a vida", acrescentou a vice-diretora. Entre os alunos que decidiram ir no primeiro dia, os principais argumentos para retornos giravam em torno de saudades de colegas e professores, dificuldade de acessar o sistema online disponibilizado pelo governo e a merenda. Na entrada da escola, foi desenhada uma árvore de desejo para 2021. Os alunos podiam escrever o que quisessem em um post-it e colar na árvore.

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