Sábado, 10 de Abril de 2021
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Delegada aponta disputa de poder como causa do assassinato do marido de Flordelis

Deputada é acusada de ser a mandante do crime e responde a processo, no Conselho de Ética, por quebra de decoro. Ela alega inocência

30/03/2021 19h10
Por: Redação Fonte: Agência Câmara de Notícias

A primeira delegada responsável pelas investigações do caso Flordelis, Bárbara Lomba Bueno, disse, nesta terça-feira (30), acreditar que tenha sido disputa de poder a motivação do assassinato do marido da parlamentar, o pastor Anderson do Carmo, em junho de 2019, em Niterói (RJ). Flordelis (PSD-RJ) é acusada pelo Ministério Público de ser a mandante do crime.

Bárbara Lomba Bueno participou de videoconferência promovida pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados. Ela foi a primeira depoente no processo movido pela Mesa Diretora contra Flordelis por quebra de decoro.

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Em um depoimento que durou quase três horas e só foi interrompido porque começou a Ordem do Dia do Plenário, a delegada deu detalhes das investigações do assassinato, que teria tido o envolvimento de 11 pessoas, a maioria filhos biológicos e adotivos de Flordelis. Eles disputariam com Anderson do Carmo protagonismo na vida da parlamentar.

“A motivação final certamente passa por poder. Provavelmente também dinheiro, recursos materiais. Mas poder e invasão de tudo, uma vida, por parte da vítima. Tudo indicava que havia já um substituto da vítima, e a vítima havia percebido isso”, afirmou a delegada. Ela conduziu as investigações de junho de 2019 a janeiro de 2020, quando foi substituída pelo deputado Allan Duarte Lacerda.

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Perguntas
A delegada respondeu a perguntas do relator da representação contra Flordelis, deputado Alexandre Leite (DEM-SP), e de Anderson Rollemberg, advogado da parlamentar.

Conforme lembrou a policial, um dos filhos de Flordelis, Flavio dos Santos Rodrigues, admitiu ter atirado em Anderson do Carmo.

A partir da análise de depoimentos e de mensagens trocadas por celular entre pessoas do núcleo familiar de Flordelis, os policiais e o Ministério Público do Rio de Janeiro concluíram que a parlamentar teria sido a mandante do crime.

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“Ninguém diz diretamente que teria havido uma ordem explícita da deputada para a execução do crime. Há depoimentos de que a deputada dizia que não aguentava, que isso tinha que ser resolvido de alguma forma. Havia uma reclamação velada, mas não uma ordem direta”, afirmou Bárbara Lomba Bueno.

Em sua defesa, Flordelis tem afirmado que existe erro na conclusão das investigações e alega que não pode ser julgada e condenada antes que todo o processo seja concluído. Segundo ela, a mandante do assassinato foi sua filha Simone.

O relator, Alexandre Leite, destacou que o foco do Conselho de Ética, no caso, é analisar a conduta de Flordelis quanto ao decoro parlamentar.

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“Há muitas testemunhas, muitos envolvidos, mas vamos nos ater às condutas da deputada e fazer a conexão eventual de quem tiver participação ou conluio ou qualquer outra forma de interação que seja relevante”, declarou.

Nova reunião
Como a reunião desta terça foi suspensa, o delegado Allan Duarte Lacerda não chegou a ser ouvido. Uma nova reunião deverá ser marcada, com a retomada do depoimento de Bárbara Lomba Bueno.

Nesta terça, o deputado Alexandre Leite também apresentou uma complementação de seu plano de trabalho, para ouvir mais testemunhas e também o perito do Ministério Público do Rio de Janeiro Luiz Carlos Leal.

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