Terça, 15 de Junho de 2021
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Geral Rio de Janeiro

Sem máscara, Bolsonaro gera aglomeração no Rio após dizer que teve sintomas de Covid

Ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, também sem máscara, participa de ato em apoio ao presidente neste domingo (23)

23/05/2021 13h19
Por: Redação Fonte: Folha de S. Paulo
Sem máscara, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello participa de ato em apoio a Bolsonaro neste domingo (23) com motociclistas no Rio de Janeiro - Reprodução
Sem máscara, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello participa de ato em apoio a Bolsonaro neste domingo (23) com motociclistas no Rio de Janeiro - Reprodução

Três dias após dizer em live que voltou a ter sintomas da Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) gerou nova aglomeração durante passeio de moto neste domingo (23) no Rio de Janeiro. A prefeitura da cidade estimou que participariam do evento de 10 mil a 15 mil pessoas.

Sem máscara, o ex-ministro da Saúde general Eduardo Pazuello também esteve presente ao lado de Bolsonaro em cima de um carro de som.

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Em discurso ao final do passeio, o presidente criticou as medidas restritivas adotadas para conter a pandemia da Covid-19 e disse que pode tomar “todas as medidas necessárias” para garantir a liberdade da população.

Bolsonaro tem ameaçado publicar uma norma para impedir que gestores locais fechem o comércio ou limitem a atividade econômica durante a crise sanitária. Ele também voltou a usar a expressão “meu Exército”, que gerou incômodo anteriormente entre militares.

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“Meu Exército jamais irá às ruas para manter vocês dentro de casa [...] Nosso Exército são vocês. Mais importante do que os Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo, é o poder do povo brasileiro”, afirmou.

O presidente também voltou a atacar governadores e prefeitos, afirmando que eles ignoraram a maioria da população ao, sem comprovação científica, decretar lockdown. As medidas restritivas, na verdade, foram adotadas de acordo com a avaliação de comitês científicos e estudos que indicam que o distanciamento social é necessário para frear a disseminação do novo coronavírus.

Ameaçado pela volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à corrida eleitoral de 2022, Bolsonaro aproveitou para criticar Fernando Haddad, candidato petista por ele derrotado em 2018. “Imagine se o poste tivesse sido eleito presidente, como estaria nosso Brasil no dia de hoje."

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Bolsonaro chegou ao Parque Olímpico da Barra da Tijuca, zona oeste, por volta das 9h30. Lá, sem máscara, cumprimentou apoiadores que o aguardavam.

Na última quinta-feira (20), o presidente afirmou que poucos dias antes havia se sentido mal e tomado cloroquina, medicamento comprovadamente ineficaz no tratamento da Covid e associado a efeitos adversos. Ele também disse que seu exame deu negativo —o que não exclui a possibilidade de que estivesse infectado.

Decreto em vigor do Governo do Rio de Janeiro prevê o uso obrigatório de máscara em qualquer ambiente público, assim como distanciamento mínimo de 1,5 metro. Já o decreto da Prefeitura do Rio mantém proibida a realização de eventos em áreas públicas.

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Na última sexta-feira (21), o Governo do Maranhão autuou Bolsonaro por gerar aglomeração com mais de cem pessoas sem controle sanitário e por não usar máscara em evento em Açailândia (a 560 km de São Luís).

Médicos e especialistas da saúde têm alertado sobre a possibilidade de uma terceira onda da pandemia no Brasil. A cidade do Rio está neste momento com 95% dos leitos de UTI públicos ocupados.

O passeio de moto teve início por volta das 10h no Parque Olímpico em direção ao Aterro do Flamengo, zona sul do Rio, a 40 quilômetros de distância. Diversas vias da cidade foram fechadas para a passagem de Bolsonaro.

O Governo do Rio de Janeiro mobilizou mais de 20 unidades da Polícia Militar, com cerca de 1.000 agentes, para o evento com Bolsonaro, "a fim de garantir a ordem e a segurança da população durante o ato".

No dia 10 de maio, o presidente já havia realizado um passeio de moto pela periferia do Distrito Federal, durante o qual também desrespeitou as regras sanitárias. O mesmo ocorreu no dia 9 de maio, também em Brasília, em novo trajeto com centenas de motoqueiros.

Na ocasião, Bolsonaro afirmou que queria fazer passeios semelhantes no Rio, em São Paulo e Belo Horizonte.

Um dia depois, o presidente prometeu, em conversa com apoiadores, que em futuras concessões de rodovias federais colocará como um dos itens do edital a isenção de pedágio para motos​, uma das pautas da categoria.

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