Terça, 26 de Outubro de 2021
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Geral Offshore

Neta de Roberto Marinho e diretor da Globo apareceram com contas offshore. Por isso Paulo Guedes não é notícia lá

Há uma razão simples para a Globo não noticiar com barulho o caso da offshore milionária de Paulo Guedes, exposta nos Pandora Papers: a família Marinho tenha conta em paraíso fiscal

05/10/2021 16h24
Por: Folha
Arquivo Web
Arquivo Web

Há uma razão simples para a Globo não noticiar com barulho o caso da offshore milionária de Paulo Guedes, exposta nos Pandora Papers: a família Marinho tenha conta em paraíso fiscal.

Paula, neta de Roberto Marinho, filha de João Roberto, apareceu nos Panama Papers, de 2016, quando offshores criadas pela firma panamenha de advocacia Mossack Fonseca foram reveladas.

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Da Globo constavam ela e o então diretor geral do grupo, Carlos Schroder, estrelas de uma lista de catorze nomes ligados à mídia brasileira.

(Apareciam também o apresentador Carlos Massa, o Ratinho; Ruy Mesquita Filho, herdeiro do Estadão, e o presidente do Conselho de Administração do grupo Estado, Walter Fontana Filho; e o jornalista José Roberto Guzzo, hoje à frente de uma revista bolsonarista vagabunda.)

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De acordo com o levantamento, Paula recebeu e pagou faturas relativas a 3 offshores mantidas pela Mossack Fonseca criadas em 2005 e reativadas por Alexandre Chiappetta de Azevedo em 2009.

Alexandre de Azevedo era casado com Paula. Os dois se separaram em 2015. Paula era citada por causa do infame “Triplex de Paraty”, a mansão construída à margem da legislação de proteção ambiental. O DCM cobriu a história na época num série de reportagens.

Schroder, por sua vez, aparecia como o único acionista de um empresa nas Ilhas Virgens Britânicas. No registro, ele deu como seu endereço a sede da Rede Globo no Jardim Botânico, no Rio.

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Schroder era diretor de Jornalismo e Esportes quando da criação da Denmark Holdings. Em 2012, foi promovido à direção geral. Em 2020, ele deixou o emprego.

À época, Paulo Nogueira, meu irmão, escreveu sobre Paula e Schroder:

Não há surpresa, como eu disse, porque Schroder vive num ambiente – a Globo – inteiramente contaminado pela cultura da sonegação.

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A Globo não vive nem sobrevive sem duas coisas: recursos públicos e sonegação.

Em ambos os casos, a Globo recebeu sempre uma tratamento complacente e absurdamente favorável das autoridades brasileiras, incluídas aí as dos governos Lula e Dilma.

É célebre, morbidamente célebre, o caso da fraude e sonegação da Globo na compra dos direitos da Copa de 2002.

Está tudo documentado na Receita. (Aqui, você pode ver um documentário do DCM sobre o escândalo.)

A Globo mentiu ao comprar os direitos. Disse que estava investindo num negócio fora do país. Com isso, deixaria de pagar o imposto relativo à aquisição.

Os fiscais da Receita detectaram o crime. A Globo foi multada numa quantia que, em dinheiro de hoje, supera os 600 milhões de reais. Num episódio simplesmente inacreditável, uma funcionária da Receita foi apanhada tentando fazer desaparecerem os documentos do caso.

Esta é a Globo. E este é o Brasil: nunca nenhuma autoridade da Receita ou do governo se pronunciou sobre a fraude e a sonegação. Lá se vão mais de dez anos.

É dentro deste ambiente que vive Schroder.

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