Terça, 18 de Janeiro de 2022
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''Na vida a Bíblia, no Supremo a Constituição'', diz Mendonça na CCJ do Senado

Indicado por Bolsonaro para ser um ''ministro terrivelmente evangélico'', ex-AGU afirmou que se comprometerá com o Estado laico. Discurso, porém, se distancia do que ele tem feito ao longo de sua carreira como advogado

01/12/2021 13h58
Por: Folha
Arquivo Web
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Indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) com a promessa de ser um “ministro terrivelmente evangélico”, André Mendonça mudou o discurso durante sabatina no Senado nesta quarta-feira (1º) e afirmou que se comprometerá com o Estado laico.

“Embora seja genuinamente evangélico, entendo não haver espaço para manifestação pública religiosa durante as sessões do STF. Na vida a Bíblia, no Supremo a Constituição. Portanto, no STF defenderei a liberdade religiosa de todo o cidadão, inclusive aqueles que optam por não ter religião“, disse o pastor licenciado.

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Mendonça ressaltou que pertence à Igreja Presbiteriana, que nasceu no contexto da Reforma Protestante e que prega a defesa à separação entre igreja e Estado. Na própria fala, no entanto, ele agradeceu diversas vezes a Deus e as orações feitas para ele.

Mendonça utiliza Bíblia para defender decisão

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O discurso do ex-advogado-geral da União no Senado pouco se aproxima do que tem feito ao longo de sua carreira e vida pessoal. Autor de publicações na área do Direito, Mendonça coleciona ampla produção de vídeos em que prega para fiéis da igreja.

Em um deles, publicado no perfil da Assembleia de Deus de Goiânia, ele fala por 32 minutos sobre Adão, Eva, o jejum de 40 dias e 40 noites de Jesus no deserto, hostes e potestades – para uma plateia que ele mesmo define ter senadores e deputados.

Em abril deste ano, durante sustentação oral no STF, Mendonça chegou a utilizar a Bíblia para defender a decisão de Bolsonaro de abrir templos religiosos, mesmo com a alta de casos e mortes pela Covid-19.

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“Não há cristianismo sem vida comunitária. Não há cristianismo sem a casa de Deus. Não há cristianismo sem o dia do Senhor. É por isso que os cristãos não estão dispostos, jamais, a matar pela sua fé, mas estão sempre dispostos a morrer, para garantir a liberdade de religião e culto”, disse o ex-AGU, em vídeo que foi republicado por Bolsonaro em seu canal no Youtube.

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